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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Podem me jogar na fogueira, mas tô com saudades do tempo da ditadura


Eu sei que muita gente vai dizer: esse cara é um louco. Outros vão prometer nunca mais ler estas mal traçadas linhas. Se a publicar sair no Jornal Expresso, muitos vão querer fazer fogueirinha do semanário, mas vou dizer: estou com saudades do TEMPO DA DITADURA.

Peço de antemão desculpas a quem sofreu horrores durante o regime militar e, se adoto este tom apelativo, é porque sinto que as coisas não caminharam como sonharam os que lutaram e morreram pela liberdade neste país. Foram tantas notas e batons na cueca, tantos tiros pela culatra, que, na semana em que se comemorou o dia da saudade, sinceramente em pelo menos um aspecto tive saudade do TEMPO DA DITADURA.  

Naquela época não tínhamos liberdade de expressão, não tínhamos liberdade política, mas tínhamos alegria, tínhamos sonhos, mesmo que o sonhar fosse com a liberdade que estaria por vir. Passados 30 anos ou mais, continuamos presos, não ao poder militar, mas ao poder econômico. O mundo mudou, mas, com toda sinceridade, não consigo dizer que mudou para melhor.

E com o futebol a coisa não é diferente. Tenho saudade do tempo em que o Mineirão estava lotado com mais de 100 mil torcedores. Saudade dos descamisados, dos banguelas, com a camisa do Galo ou da Raposa. Saudade da gente simples, que pagava um trocado na bilheteria e tinha todos os direitos do mundo, inclusive de tomar uma cervejinha, comer um churrasco no espeto mesmo.

Podem pensar que estou louco. Onde já se viu, querer 100 mil pessoas em um campo de futebol, quando não se consegue dar segurança ao público de uma boate. É mas, naquela época, por conta de uns vis trocados não se tinha boate de uma porta só. 

A gente corria riscos, mas tínhamos direitos. Hoje o poder econômico tomou conta dos estádios. A iniciativa controla os preços dos ingressos, o guaraná, a pipoca e cerveja nem pensar. O Ministério Público está de olho, cerveja no estádio nem pensar. Deve ser por isso que o cara bebe antes e já chega no campo de jogo prá lá de Bagdá. Mas isso não vem ao caso.

O pior de tudo é os banguelas e os descamisados ficaram de fora do estádio. Eles não conseguem mais entrar. Primeiro que para conseguir o ingresso precisaria ficar pelo menos uns cinco dias na fila, segundo que os preços está nas alturas, o pobre não consegue pagar.

Ir ao estádio futebol agora é programa de bacana. O Sport TV está filmando. Belas mulheres aparecem na tela da TV e da aberta também. Ao descamisado restou ver o Sport TV. Parece que estou de gozação. Como um descamisado tem TV por assinatura. Que descamisado é esse...

É o mesmo descamisado de outrora. O pobre mesmo. É só fazer a conta, pagar a assinatura ou fazer um gato custa bem menos que o preço do ingresso no Estádio. E você tem direito a tomar uma cervejinha, em casa ou no boteco com os amigos.

Parece que ficou legal, mas falta o glamour de ir ao campo, de sair no Canal 100, aqueles filmes que apareciam no cinema, antes do filme principal começar. E pode se preparar, se continuarem abrindo a administração dos Estádios para iniciativa privada, em breve o torcedor vai pagar para soltar pum (kkkk quero ver o Sport TV filmar o pum).

Em breve teremos a Copa do Mundo do Brasil. Vai ser a Copa do Mundo para inglês, americano, chinês, japonês verem dentro dos Estádio. Brasileiro mesmo vai ficar chupando o dedo, vendo a TV aberta ou fechada e pagando a  conta no final.

Voltando à terrinha, o bonitinho do Ernani não foi a reunião em que seria sabatinado pelo conselho. Para mim, mandou um recado aos  conselheiros do USC. Vocês continuam pagando a conta e eu contínuo mandando e desmandando no futebol, dando emprego aos meus parentes e amigos e, se não der certo no final, dou uma banana para vocês e para torcida também. 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Sem dinheiro, dirigentes do USC lembram do torcedor


Não sou do time dos secadores, mas também não sou do clube dos lambe botas, dos marias vai com as outras e cia. ltda. Vejo os dirigentes do Uberaba Sport Club pedindo apoio do torcedor, clamando à torcida colorada que dê o empurrão, inclusive financeiro que o time precisa.

Engraçado, esses não são os mesmos dirigentes que há alguns meses, quando contavam com a verba gorda da televisão, viviam esnobando o torcedor? Aqueles que se negaram a diminuir o preço do ingresso, quando o time mais precisava de sua torcida? Agora posam de santinhos, falam em nome do amor maior ao colorado.

Vou dizer a estes dirigentes que  eles terão o apoio dos torcedores sim. Poderão contar com imensa massa colorada mas, se, e somente se, o time que eles montaram a toque de caixa, sem planejamento algum der liga, ganhar jogos, empolgar.

Caso contrário, não haverá amor que faça o torcedor colorado ir a campo, colaborar, contribuir. Após o desastre do Campeonato Mineiro de 2012, eles tinham muitas opções. Poderiam deixar o clube, abrir vagas para gente interessada em assumir o time ou mesmo colocarem a mão na massa e começarem a fazer o planejamento tão logo acabou o Campeonato Mineiro.

Deixaram tudo para a última. Foi um corre-corre danado. Perderam o patrocinador máster para o Uberlândia, ficaram um patrocinador de segunda e, só então, decidiram trabalhar. É complicado apostar em um trabalho feito às pressas, toda a desídia será perdoada se o santo Gian Rodrigues conseguir fazer este time dar liga.

Tá difícil! Tá mesmo, mas nos resta esperança. Antigamente, quando se apostava na base, em garotos criados em Boulanger Pucci, as chances eram maiores. Hoje, quando a maioria dos atletas é de outras cidades, as chances são menores. Como cobrar garra, amor à camisa, sangue a quem é apenas um profissional da bola.

Neste aspecto a torcida pode mais uma vez ajudar. É preciso criar empatia com os jogadores. Como muitos torcedores fizeram com Danilo Dias há anos. Cobrar por cobrar não vai adiantar. É preciso jogar junto, esquecer as divergências. Agora é tudo ou nada. É preciso jogar com os atletas e com a diretoria também. Mas é bom que fique claro nestas mal traçadas linhas, a participação do torcedor na campanha para a volta ao Módulo I do Campeonato Mineiro.

Mais uma vez teremos um Campeonato Mineiro corrido com jogos só de ida. Está passando da hora de todos os clubes do futebol pleitearem junto à Federação direito às verbas de televisão. Quem sabe assim, a FMF resolve fazer como as federações paulista e carioca, abrindo mais vagas e criando jogos de ida e volta na primeira fase, mesmo que para isso seja necessária a divisão dos clubes em duas chaves.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Nem todo fruto que cai sozinho está podre


Certa vez assisti a uma palestra da jornalista Neide Duarte, “O papel dos jornalistas na construção de um mundo novo”. Fiquei apaixonado pelo texto. A gente não aprende isso na faculdade, mas devia ter a fala da Neide como uma oração diária.
"O jornalista é um mediador entre dois mundos. E isso não significa apenas poder, mas também humildade, aceitação, de ser apenas o que deixa passar, deixa fluir através de seu trabalho o trabalho de outros, as idéias de outros, o caráter de outros."
Assim poderíamos todos nós jornalistas ou trabalhadores em meios de comunicação orar todos os dias. Senhor não me deixeis cair em tentação. Fazei que eu seja apenas e tão somente o que deixa passar. Para os espíritas, seria como o médium que recebe a mensagem do além.
Como somos humanos e, lógico, passíveis de erro, não é raro cairmos na tentação do fazer algo diferente, colocar um "q" a mais, dar um tempero, uma pitada de sal, pimenta. Vixe! Combinação explosiva. Tempero e jornalismo sério não combinam.
Uma vez, enquanto editor de jornal, caí na tentação de dar  tempero local em uma notícia nacional. Confesso. Foi um desastre. Fui acusado de ser insensível à dor dos familiares de centenas de mortos do avião da Tam no aeroporto de Cumbica, em São Paulo. Por que? Apenas para fazer algo diferente do que foi feito nos jornais de todo país.
Também não combina com o jornalismo a raiva ou as desavenças com colegas ou quem quer que seja. Certa vez, disse a uma colega que o texto dela estava errado. Ela retrucou. Ficou brava que nem pata choca. Eu disse: vou publicar assim e você assume as conseqüências. Na verdade, não deixaria sair com o erro por simples capricho, mas, como em redação o diabo está sempre solto, e se você deixar rabo, ele pisoteia. Por um erro, o texto original acabou indo às páginas do jornal.
A matéria referia-se a deputado petista, no tempo em que o PT era quase que uma religião. Os petistas ainda se julgavam incólumes. Foi mal. “Estrumbicou-se” a repórter e eu juntos. O deputado processou o jornal e a pendenga durou muitos anos, mas quando se tem poder e jogo de cintura dá-se um jeito. Acabou em pizza, sem antes uns bons puxões de orelha.
Criticar colegas de trabalho então. Dá uma "zica"! Mesmo porque, o jornalista é o que deixa passar. E esse deixar passar é próprio, pessoal. O que passa por aqui, não por ali, acolá e por aí fora. Passa diferente.
Outro dia vi um caso interessante. Uma colega, não sei se jornalista, aprendiz ou estagiária, postou uma matéria sobre o elenco do Uberaba Sport Club. Não lembro com detalhes, mas ela citou a apresentação tipo de 18 jogadores e postou uma foto onde havia 25 ou mais.
Daria até para criticar. Poxa, como alguém faz isso? Erro banal! Nada disso, nem tudo parece como é. Pode ser que a menina esteja até muito mais certa do que nós velhos de guerra. Talvez ela tenha filtrado no meio dos 25,apenas os 18 que realmente eram ou são profissionais futebol. Os demais. Ah! Os demais estavam ali como mero coadjuvantes. Não estou afirmando, mas pode ser.
Outro dia, eu ouvi, se me contassem eu não teria acreditado, mas ouvi um colega criticar o outro e, em meio a sua ira, dizer em aos ouvintes uma frase pronta: "NÃO QUERO DERRUBAR NINGUÉM, FRUTO PODRE CAI SOZINHO”.
E não é que, conforme o próprio autor da frase, enquanto rodava o intervalo comercial, ele caiu da cadeira. Com certeza foi o capeta que ronda as redações que o derrubou. Com certeza, ele não havia feito a oração do dia, pedindo para ser manso e prudente. Para ser, apenas aquele que deixa passar.
Quanto ao colega que caiu, creio que ele não deve ficar preocupado, assim como o colega que criticado. Afinal, um caboclo da roça como eu sabe que nem todo fruto que cai sozinho está podre. As pitangas, os limões galegos, os condes, as atas, os araticuns, as jacas, as graviolas quando maduros caem por si só, propiciando aos animais que não conseguem acessá-los quando ainda estão no pé uma farta alimentação. Além disso, neste ato de caírem, de largarem o caule onde estão presos, espalham sementes e geram novos frutos.
E mesmo os frutos podres também não são de todo ruins. Eles protegeram os frutos que não apodreceram. E uma vez no chão, também servem de alimento e, mesmo quando isso não acontece, mesmo que não gerem novas vidas, incorporam à terra, fertilizando-a para que novos frutos possam vir.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Tem muito bagre ensaboado no time de Piau


Buemba! Buemba! Os velhinhos que me desculpem, mas o secretariado do Paulo Piau está ultrapassado. Ou, no mínimo, seria necessário mesclar experiência e juventude. Às vezes uso este espaço para cobrar renovação no nosso futebol, oportunidade para os pratas da casa, para os nossos filhos, aos invés de contratar bolerões do futebol brasileiro. Aqueles que vêm aqui para comer, dormir e levar uma grana, sem muito compromisso ou comprometimento.

Mas, se analisarmos bem, a coisa não é só no futebol. Lembro que em 1990/1991, então com 4 anos de formado, comecei a trabalhar no jornalismo impresso em Uberaba. O prefeito Hugo Rodrigues da Cunha levou para cargos de primeiro e segundo escalões pessoas como o ex-prefeito Luiz Neto, que mais tarde chamou para Secretário de Esportes, o ex-prefeito Marcos Cordeiro, e, se não me engano, também colocou Paulo Piau na Secretaria de Agricultura, Wellington Cardoso Ramos na secretaria de governo e por aí afora.

Ora, passaram-se mais de 20 anos e o que eu vi no time de secretários do Paulo Piau foi um monte de bolerões da política. Gente que está agarrada ao osso há muito tempo ou já roeu a muito tempo atrás. Agora, como perguntar não ofende, e os nossos filhos? Quando terão alguma oportunidade. Não, não tenho filho candidato a secretário, mas, e se tivesse? O nosso mercado de trabalho é muito fechado e não é só no mundo empresarial não. Na política e no futebol também. Os ocupantes do poder em Uberaba precisam, com urgência, abrir as portas para os jovens. Caso contrário, em breve seremos uma cidade de anciões, enquanto nossos filhos e netos estarão bem longe daqui.

Hugo lá pelos idos de 91/92 deu oportunidade para muita gente, antes o Wagner já havia trabalhado com gente nova, na época (rsss) como o ex-prefeito Anderson Adauto. Dos que vi do secretariado de Piau tira-se o Alan Carlos que não é nenhum brotinho, deve estar mais perto dos 50 do que dos 40, e o Wagner Júnior, que é mais jovem, mas  não deixa de representar o passado.

É certo que os políticos montam os seus times, recompensando apoios e apoios, mas, cá pra ”nois”, o Piau exagerou na dose de experiência. Aliás, outro dia, assisti a um filme em que alguém com grande sabedoria disse que o jovem sabe separar melhor o certo do errado, já que os velhos já conviveram com tanta putaria que já não sabem mais fazer tal distinção. Caro prefeito, experiência demais traz problemas: falta pique, falta garra, falta entusiasmo. Imaginem a reunião do secretariado. Vai ser tanta gente se levando com aí ou se sentando com ui. O gabinete até que poderia ser transferido para a UAI.

Nada contra os velhinhos. O Tio Mário que me desculpe, em breve estarei jogando no time da terceira idade, mas se a renovação não se der na idade, penso que deveríamos ter uns quatro ou cinco membros do primeiro escalão na casa dos 30 anos de idade, que fosse pelo menos gente mais velha, mas cara nova na política.

Como devemos cobrar oportunidades para os nossos filhos nas empresas locais, se na administração pública a coisa ficou como ficou? Não sei não, mas se alguém se der o trabalho de fazer a média de idade do secretariado do Piau acho que vamos bater os 65 anos.

Aliás, tem algo estranho em Uberaba. Outro dia, quase caí das pernas, ao ouvir num noticiário local informações sobre o primeiro bebê do ano. A pauta é velha e não teria causado surpresa nenhuma se não tivesse sido veiculada no jornal radiofônico do dia 3 de janeiro.

Assustei-me também com alguém noticiando a contratação do reforço Gabriel Elói para o Uberaba Sport. O interessante é que este alguém ao apresentar o jogador o apontava como ex-Uberaba Sport. Ora, se o Gabriel Elói, deixou o Colorado no final     do Campeonato Mineiro e ficou desempregado até o final do ano, ou ele decidiu abandonar o futebol e mudou de idéia ou não despertou o interesse de nenhum outro clube. Vai ter que realmente dar a volta por cima. Para mim, isso não é reforço. É cabide de emprego mesmo. 

E já que voltei a falar de esporte, será quando teremos caras novas na diretoria do USC? Será quando um jovem empreendedor vai se interessar em dirigir o Nacional Futebol Clube?