Hobby Radical: Batina, negócios e adrenalina
Empresário foge do estresse em provas de enduro
Olhos: “Atendi a confissões em meio a trilhas”
Empresário foge do estresse em provas de enduro
Olhos: “Atendi a confissões em meio a trilhas”
O hoje empresário do setor gráfico Célio Geraldo Pinto ordenou-se padre em 1994, em Uberaba-MG. Natural de Itajubá-MG, ele trabalhou em Planura-MG e Conceição das Alagoas-MG, voltou à cidade logo depois como reitor do Seminário São José, mas acabou destacado para ajudar o padre Levi em Sacramento-MG. Ali nasceu a paixão pelo enduro, mas o amor pela motos antecedia o Seminário.
De lá para cá, Célio deixou a batina, casou-se, teve um filho, mas não abandou sua paixão.
Trilheiro de longa data, ele conta os dias para comprar uma nova moto e voltar às competições regionais e nacionais. É que nos últimos dois anos o empresário esteve vetado pelo departamento médico, devido a um acidente que lhe rendeu duas fraturas nas vértebras lombar 1 e 2 e lhe custou mais de um ano de sessões de fisioterapia.
Para Célio, o esporte radical funciona como uma válvula de escape depois de uma semana dura de trabalho. “Durante as provas você fica 5 horas trilhando, olhando para a planilha, fazendo cálculos, desliga-se do mundo”, revela. Ele também destaca o ambiente saudável, o contato com a natureza, companheirismo e valorização do ser humano.
“Não há como não afirmar a existência de Deus quando se contempla uma cachoeira, uma mata. Quando fui pela primeira vez na nascente do Rio São Francisco, não me contive.
Quando percebi, em meio a lama e o barro estava rezando e abençoando as motos que nos conduziram até aquela grande manifestação do amor de Deus através da natureza”, revela em texto publicado em site especializado em enduro.Aliás, quando vestia e depois de deixar a batina, Célio ganhou destaque em diversas revistas especializadas.
O ex-padre revela que a paixão pelas motos antecedeu à ordenação. Eu tinha uma Honda CBE 450 quando me ordenei, mas a paixão pelo enduro começou mesmo em Sacramento. Foi lá que conheci o Neto (mecânico), o Robinson, o Danilo (dentista) e o José Geraldo (médico) velhos companheiros de trilhas e competições.
“Sacramento está no início da Serra da Canastra. É um lugar maravilhoso para quem gosta de andar de moto. Tem cachoeiras, muito verde, pedras e condições ideais para trilhas. Deus olhou aquele lugar com muito carinho”, revela.
Atraído por tudo isso e incentivado pelos amigos, Célio decidiu comprar uma Yamaha DT 180 cc. Apreendeu a fazer trilhas e desincumbido de ajudar o padre Levi voltou a dedicar-se apenas ao seminário.
Célio então passou a aproveitar os sábados livres para pilotar. Em 1998, já com uma moto melhor, embora procurasse colocar o sacerdócio em primeiro lugar começou a participar de competições regionais e nacionais. “Enduro, trilha, natureza não tem coisa mais saudável. Como padre eu exerci as duas coisas sem uma atrapalhar a outra.
Atendi a confissões em meio a trilhas. Às vezes um colega estava com problema e pedia conselho. O pessoal via o fato de um padre disputar um enduro não de forma pejorativa, pelo contrário, todo começo de prova a gente rezava, reuníamos ali de 200a 300 pilotos”, lembra. A maior dificuldade mesmo era conseguir um substituto quando as provas eram mais longe e exigiam viagens. Nesse caso, o irmão Marcelo, também padre, era o salvador da pátria. “Se tinha prova no domingo, eu ia e ele ficava”, conta lembrando que o irmão continua no Sacerdócio e hoje mora na Suíça.
Conquistas. Em 2002, último ano em que exerceu o sacerdócio, Célio disputou o enduro da Independência, saindo de Ubatuba em São Paulo e indo até Belo Horizonte. A falta de experiência neste tipo de competição não impediu que Célio ficasse na 25ª posição em sua categoria na disputa com outros 180 pilotos.
Na mesma competição, em 2005, ele obteve o 18o. lugar, depois de 4 dias de provas, ficando na 5a. posição na etapa de São João Del Rey a Ouro Preto. Também em 2005, Célio ficou em 5o. lugar no Campeonato do Cerrado, que reúne provas em Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal, e conseguiu boas classificações em competições isoladas.
Drama. Um descuido teria provocado o acidente que tirou Célio das provas de enduro nos últimos dois anos. Ele participava do Campeonato do Cerrado em Araxá e faltavam apenas 2km para o fim do enduro quando um erro de cálculo fez com que perdesse o controle da moto e ao tentar evitar que ela fosse ao solo, bateu com as costas em um barranco.
Mesmo sentido que o acidente era sério, o empresário retirou a água do carburador da moto – ela havia caído em um riacho - e pilotou até Araxá, onde já chegou “travado”.
Mesmo assim, ele colocou a motocicleta em uma caminhonete e veio dirigindo até o Hospital São Domingos em Uberaba. “De Ponte Alta para cá eu já ao conseguia passar marcha, engatei terceira e vim”, lembra.
Os exames constataram fraturas em duas vértebras, a dificuldade de locomoção perdurou por cerca de um mês e depois o problema foi resolvido com fisioterapia, mas só agora, cerca de 2 anos depois, Célio está liberado para voltar às trilhas.
Equipamentos. O enduro não é um esporte barato. Hoje uma moto importada, 100% off -road, como a KPM, custa cerca de 35 mil reais, mas existem opções nacionais mais em conta e outras importadas, mas montadas no Brasil. É o caso da Suzuki DR 400 cc, que pesa pouco mais de 100 quilos, a preferida Célio embora ele aponte ter tido outra moto mais possante, uma Honda CE 250 cc.
Para os iniciantes ficam opções das motos nacionais adaptadas como a Tornado da Honda que sai em torno de R$ 10 mil e TTR da Yamaha.
Além disso, os trilheiros também têm que investir em equipamentos de segurança como luvas, coletes, capacetes, botas e macacão. Juntos, bons equipamentos, não saem por menos de R$ 3.000,00.
Nova geração. Célio revela também a existência de uma nova geração de pilotos em Uberaba. No caso dele, o filho de 6 anos já tem uma moto de 110 cc e está apreendendo a fazer trilha. Ele cita outras cinco crianças que surgem como promessas para o esporte em Uberaba.
Publicado na revista Perfil Empresarial
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