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terça-feira, 24 de julho de 2012

DE PRIMEIRA – DEVAGAR COM O ANDOR QUE O SANTO É DE BARRO

A semana passada e o início desta foi de muita agitação pelos lados do CT Colorado. Uma visita de Marcelo Araxá à cidade gerou uma série de comentários. Uma cantadinha do profissional que, desempregado, admitiu a possibilidade de voltar a trabalhar no Uberaba Sport motivou o reboliço.

O que achei mais interessante foi o rótulo dado a Marcelo como formador de time e, mais do que isso, formador de time campeão. Araxá conquistou, é bem verdade, duas Taças Minas Gerais com o USC. Entretanto, dar a ele todos os méritos pelas vitórias é uma temeridade.

Afirmo com convicção que durante os dois anos de trabalho à frente do USC, Marcelo não formou time nenhum. No máximo contratou alguns jogadores, e foram poucos, que contribuíram nos times campeões. Senão vejamos:

1)      Marcelo assumiu o time nos meados maio de 2009. Naquela ocasião, o time já havia disputado o Campeonato Mineiro e ficado entre os oito melhores colocados (nos anos seguintes, nenhuma classificação na primeira fase foi melhor do que essa).

2)      O time que estreou perdendo para a Ituiutabana no Campeonato de 2009, sob o comando de Michael Robin, formou com: Lailson; Ivonaldo, Gustavo, Rogério e Rogerinho; Balduíno, Gabriel, Reinilson e Rodrigo; Fidalgo e Augusto César. Neste time, em seguida, apareceria o atacante Danilo, hoje no futebol português,  que foi o artilheiro do time em 2009.

3)      Na terceira partida do Campeonato de 2009, o USC formou com Laílson; Ivonaldo, Glauco, Rogério e Michelzinho; Balduíno, Gabriel, Michel Cury e Reinilson; Danilo e Augusto César. Foi a primeira escalação de Pedrinho Rocha, no jogo anterior (vitória sobre o Guarani em Divinópolis), o técnico havia sido Érick Moura. Neste jogo, o USC venceu o Verdão por 1 a 0.

4)      Na primeira partida contra o Atlético nas quartas-de-final do Mineiro de 2009, o USC, ainda treinado por Pedrinho Rocha, formou com Laílson; Ivonaldo, Glauco, Rogério e Jackson; Balduíno, Gabriel; Maurício e Reinilson; Michel Cury e Danilo.

5)      Na estreia da campanha vitoriosa da Taça Minas em 2009, o Colorado, já com Marcelo Araxá, como gerente de futebol formou com Arlem; Ivonaldo, Rodrigão, Rogério e Fabiano; Balduíno, Gustavo, Saulo e Ipuã; Bocão e Danilo.

6)      Notem que nesta equipe apenas Rodrigão e Gustavo (nomes que podem ser creditados a Marcelo Araxá, embora eu não possa afirmar que a indicação foi mesmo dele) firmariam na equipe. Arlem era um goleiro mediano, um reserva meia-boca. Saulo um volante sofrível. Bocão não tinha fome de gols, não vingou. Fabiano já havia atuado no USC e, portanto, não pode ser considerado uma contratação exclusiva de Araxá.

7)      Mas, vamos adiante. No time da final contra o Villa aparece de nome diferente entre os aqui citados apenas o de André Nascimento, jogador, que na época, salvo engano, estava ligado ao empresário Roberto Tibúrcio.

8)      Em 2010, já sob o comando de Marcos Birigui, que aliás conquistou a Taça Minas de 2009 e 2010, o time que estreou contra a Ituiutabana vencendo por 3 a 0 tinha Rodrigo, Ivonaldo, Rodrigão Mineiro, Rogério e Fabiano; Balduíno, Gustavo, Felipe e José Maria; André Nascimento e Douglas.

9)       Na equipe que chegou às quartas-de-final e enfrentou o Cruzeiro, as novidades foram Ednei e Thiago Marin. O primeiro foi indicação de Marcus Birigui. Nunca ouvi dizer que Marcelo tivesse indicado Douglas ou Thiago Marin. Mas, vale lembrar, as indicações de jogadores naquela ocasião estiveram a cargo de Birigui. O Mosca Pequena trouxe para Uberaba meio time do Araguaína (Ednei, Fofão, Gaúcho, Valtinho  e cia). É verdade que os jogadores do Araguaína não fizeram sucesso aqui, mas foram os reforços do time em 2010.  

10)  Na final contra o Uberlândia, o USC formou com Glaysson (Fernando), Ivonaldo, Rodrigão (Luciano) Felipe e Marcel; Balduíno, Gustavo, Gabriel e Ipuã; Cadu e Marcinho. Felipe, filho do Ernani, já estava no time há muito tempo foi indicado, obviamente, pelo pai.

Diante destas constatações ouso afirmar que o responsável pelas conquistas do USC em 2009 e 2010 foi uma espinha dorsal formada por Glaysson, Ivonaldo, Rogério, Balduíno, Gabriel e Danilo (André Nascimento).

 O trabalho de Marcelo limitou-se apenas a complementar uma ou outra peça e, este trabalho, também não foi só dele. Teve é lógico participações importantes de Ernani, Laranjeira, Érick e Birigui.

O grande pecado do USC e que levou o time ao rebaixamento em 2012 foi ter desfeito o seu plantel após o Mineiro de 2011. Sem Marcelo, Birigui e Érick, o time formado foi o de Ernani e Belarmino. Contando a falta de tempo do primeiro, a desatualização do segundo e o fato do time ter “jogado a faca fora” ao ficar sem aquela espinha dorsal dos anos anteriores, o desastre era mesmo inevitável.

Por fim, acho que a crise no USC é muito mais por falta de dirigentes. Apesar de ser um time que existe apenas em função do futebol, o presidente não manja do negócio. O Normandes está sozinho no profissional. Marcelo poderia ajudar, mas outros dirigentes não remunerados também. É válido lembrar também que o futebol mudou. Hoje talvez seja mais negócio estar bem relacionado com alguns empresários do que os próprios jogadores ou equipes. Afinal, já tem muito time LTDA ou SA por aí.


Santa Rosa Nina, rogai por nós!

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