Conversava durante a semana com um amigo que tem algumas idéias radicais em relação ao esporte e, especialmente, o futebol em Uberaba. Meu amigo, defende o futebol amador por amor. Conforme palavras dele mesmo, o Amadorão ficaria para os barrigudos. Foi assim durante muito tempo. Somente nos últimos 20 anos, com a derrocada de Uberaba e Nacional é que o Amadorão ganhou força.
O pior de tudo, ou o melhor conforme o ângulo que se vê é que jogadores revelados por Uberaba e Nacional passaram a brilhar e faturar no futebol no futebol amador. Tem muitos exemplos. Marcos Rogério, Júlio César Magrelo, Edinho, Marconi são alguns dos mais antigos que lembro no momento. Mas, se formos pesquisar são dezenas de nomes. Juninho Ratinho, Gustavo Piau, Juninho Alencar surgiram na década passada. Enquanto Gagal, Obina e Ben Johnson apareceram mais recentemente. Todos trocaram o futebol profissional pelo amador.
A cidade de Uberaba deixou de revelar jogadores para grandes clubes do futebol brasileiro para servir o mercado local, ou seja, o futebol amador. Diante disso, a cidade e os clubes passaram a mendingar atletas profissionais. Busca um aqui outro acolá, ficando na dependência de favores de amigos do dirigentes treinadores e etc.
Senão vejamos. Com Ernani Nogueira como diretor de futebol, o USC ficou dependendo dos amigos do dirigentes no Santos. De lá vieram muitos jogadores, poucos ou nenhum firmou-se no futebol local. Em 2011, para a temporada 2012, o USC ficou totalmente dependente de Nenê Belarmino e seu auxiliar Santana e o resultado foi desastroso.
Na época de Birigui veio quase uma dezena de jogadores do Araguaína. Também nada aproveitável. Dinei, Gaúcho, Valtinho, Fofão e cia. vestiram a camisa do USC. Nenhum firmou-se no time. Nenhum destacou-se no futebol mineiro. Enfim, investimento em vão.
Agora com Maurílio Passini e Normandes a situação se repete. O USC fica refém de jogadores de América e Atlético. Alguns até com salários pagos pelos clubes da capital. Continuamos a mendigar atletas.
Aplaudi quando ouvi a informação de que o USC dispensou um jogador porque ele não pretendia assinar contrato até meados de 2013. Ledo engano, já estão fazendo contratos até o final deste ano. Em janeiro, quando o mercado estiver aquecido, aí sim o USC vai mendigar jogadores, caso não mude a sua filosofia.
No Nacional nem se fala. Depois de perder Rafael Ipuã, o Naça perdeu também o meia Evandro. Não adianta falar que o último era do Mamoré e o time de Patos é quem dá as cartas. O Sapo deu uma esmola para o Elefante. Aliás, nem deu. Emprestou e tomou na hora conveniente para ele. Deixou o Naça chupando o dedo.
A meu ver se os times de Uberaba quiserem voltar a ocupar lugares de destaque no futebol mineiro e nacional, é preciso tratar melhor as suas bases. Largar de preguiça. Fugir das comodidades e dos favores e correr atrás sim de dar estrutura a atletas locais e regionais.
Aliás, estas comodidades hoje são uma tônica no futebol nacional. Grandes clubes estão contratando jogadores acima de 30 anos. Estes jogadores, deveriam na verdade estar reforçando clubes das séries B, C e D. Na verdade estão ocupando espaço na vitrine de novos talentos e logo, logo estarão quebrados porque sequer terão atletas para vender aos grandes clubes mundiais.
Outro dia conversando com uma amiga, ela contava da emoção inenarrável de assistir a um Cruzeiro e Atlético no Mineirão, mesmo sem muito entender de futebol, mesmo sem torcer para um outro. "Aquilo é contagiante", disse, revelando-se agradecida ao marido por ter lhe proporcionado tal emoção. Lembrei-me do primeiro Atlético e Cruzeiro que assisti no Magalhães Pinto. Aquilo era uma panela de pressão. Elzo, com a cabeça enfaixada, foi o herói do jogo. No próximo dia 26 Cruzeiro e Atlético jogam no Independência. Tudo caminha para jogo de uma torcida só. É por isso que o nosso futebol não é mais o mesmo.
De Primeira
"Num mundo de guerras, vc me trouxe a paz"
Do filme Tróia.
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