Outro dia eu estava na obra, o tempo fechou. Acudi uma coisa
aqui, outra ali, e quando me dei conta o temporal estava começando. Só então me
dei conta que estava de moto e sem capacete (ainda me permito andar sem
capacete na roça).
De volta para casa, o que era chuva, virou granizo só. E o
vento alcançava uma velocidade de fazer a professora Vanda Prata virar manchete
de jornal. O granizo, não era granizo
qualquer. Eram pedras de ferir o rosto, os braços e a cabeça. Em meio ao
vendaval, cheguei à entrada da Fazenda da Chuva. Na placa estava escrito,
propriedade de Helton Pereira de Souza ou seria Elton? Não me lembro.
Na ânsia de salvar a vida, aquilo já era um caso de vida ou
forte, escondi-me contra o vento, escorando no tronco de um pé de jatobá. A
copa da árvore também me serviu de abrigo. A chuva com formação de granizo em
quinze minutos, deixou o canavial da fazenda da chuva em frangalhos. Eu me
safei, com os dedos doendo das pancadas das pedras nas mãos e alguns galos na
cabeça.
Nos dias que se seguiram passei diversas vezes pelo local e
de certa forma até fazia reverência ao pé de jatobá, agradecendo-o por ter
salvado senão a minha vida, a minha pele. Hoje, entretanto, fiz uma triste
constatação. Eu nem tive chance de proteger o jovem pé de jatobá, cortado rente
ao solo com moto-serra. Além dele, cortaram também muricis, paus-terra,
curiolas e outras árvores do cerrado.
A justificativa me
contaram é que o fazendeiro temia que com as árvores às margens da estrada,
algum caminhoneiro atirasse um toco de cigarro e queimasse todo o canavial. Pode
até ser louvável, mas é estranho porque as árvores estavam em área da
Prefeitura Municipal de Uberaba, margeando a estrada Uberaba/Almeida
Campos. Será que a PMU deu permissão ao
fazendeiro para retirar as árvores? Será que os órgãos competentes autorizaram
a transformar em cinzas algumas das últimas espécies nativas do cerrado
brasileiro? Por fim, se os fazendeiros
são obrigados por lei a deixar parte de suas áreas como reserva floresta, os
municípios, mesmo em área de estradas rurais não teriam da mesma forma a
obrigação de manter um quinhão que seja incólume? Quem sabe o pé de jatobá brote
e não seja atingido pelos herbicidas de folha larga que virão na seqüência.
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