Descuidei da vacina contra a gripe e o sábado acabou sendo diferente. Boa parte do dia na cama, sem muito ânimo. Deu para ver parte do segundo tempo do jogo da Seleção, os telejornais do meio-dia e até o noticiário esportivo. Mas a coisa ficou feia mesmo no fim da tarde. Sem muitas opções, arrisquei-me a assistir Noruega e Inglaterra.
Digo arrisquei-me porque já havia assistido à final da Liga dos Campeões, a prorrogação e os pênaltis, e a experiência não tinha sido muito boa. Um futebol burocrático, com raríssimos momentos de emoção. Muita tática e pouca técnica. Não deu outra. Noruega e Inglaterra foi um jogo sofrível. Os ingleses venceram por 1 a 0. O bom é que deu sono e, confesso, cochilei um pouquinho.
Na seqüência o narrador anunciava Flamengo e Internacional. Quando vi que o Inter não teria oito jogadores, fiquei receoso. Quando ouvi dizer que o Joel Santana escalara 4 voltantes e o Inter teria outros três, confesso time uns arrepios. Seria mais 90 minutos de futebol burocrático. Certo? Errado!
Já tinha visto Sport Recife e Flamengo e gostado na semana passada. Foi um jogo movimentado, principalmente, comparando-se com o futebol burocrático lá do outro lado do mundo. Embora não torça nem para Flamengo, nem para Inter. Vi um jogaço.
Seis gols, muita pegada e muita categoria.
Ibson estreava no Flamengo e não foi mal. Vagner Love marcou um golaço. Ronaldinho não brilhou, mas também não comprometeu. Mas, o melhor do jogo, e a opinião não é só minha, foi Dátolo, do Inter. Provou que dá para jogar futebol com essa enorme quantidade de volante de marcação, desde que tenha algum capaz de parar, cadenciar o jogo. O meia argentino tem esta capacidade e mostrou que, com ele, o Inter é mesmo um dos favoritos ao título Brasileirão.
No final, os torcedores do Flamengo protestaram. Não vi razão nenhuma. O Flamengo jogou bem mas teve pela frente um grande adversário. Acho que o precisa ser feito na equipe rubro-negra é a pacificação do elenco. Neste aspecto, tiro o chapéu para Ronaldinho Gaúcho que, embora substituído, cumprimentou os colegas e mostrou que saiu numa boa. Se a torcida apoiar e dar tranqüilidade ao time, acredito, o Mengão também vai fazer bonito no Brasileiro.
Agora fica também uma reflexão para o futebol brasileiro. Tirando Ganso, que será submetido a uma cirurgia, que outro camisa 10 temos? Kaká? Tomara que ele melhore até 2014 porque aqui os melhores meio-campistas que temos são estrangeiros: Deco, Montillo e Dátolo.
Aí vai um recado para os olheiros de plantão. Precisamos de jogadores como os que citei o mais rápido possível. Caso contrário, estamos fadados a ter o futebol burocrático dos ingleses e noruegueses.
Voltando ao futebol do interior mineiro, recebi ontem e-mail do leitor Fernando Lima, respondendo sobre o meu questionamento quanto ao técnico Sidney Moraes do Boa Esporte. Fernando é conselheiro do Uberlândia Esporte Clube. Nos seis anos participou ativamente da diretoria do clube de onde desligou-se após o final do Módulo II deste ano, permanecendo como Conselheiro.
“Nasci em Ituiutaba, berço do time do BOA VARGINHA, e por isso lhe respondo sobre o Técnico Sidney. Ele é primo dos irmãos Morais, proprietários do BOA ESPORTE e natural de Ituiutaba. Assim que encerrou a carreira, ele cerrou fileiras com os irmãos lá no BOA, era auxiliar técnico do Nedo Xavier e com a saída do Nedo sua ascensão ao cargo foi natural”, conta Fernando.
“Como os irmãos Morais conhecem muito de futebol e não costumam misturar as coisas, acredito que o Sidney seja mesmo uma boa promessa de treinador Mineiro, como vc mesmo sabe que estamos em uma entressafra”, continua.
As informações batem com o que tenho acompanhado do treinador. Roberto Tibúrcio falou-me maravilhas dele. O técnico também teria se revelado um bom estrategista na vitória de 4 a 0 sobre o Uberaba no Mineiro. Parecia ter estudado como ninguém o time uberabense. Entretanto, a péssima colocação do time no Mineiro, deixou-me com a pulga atrás da orelha.
No confronto de Sidney com Vadão, Guarani e Boa Esporte empataram em zero a zero. Vi os minutos finais da partida e não gostei. Muitos passes errados. Parecia que havia um espaço muito grande no campo, mas os jogadores teimavam em rifar a bola, ao invés de conduzi-la ao campo adversário. A boa surpresa foi ver que Gabriel Davis começou como titular e jogando mais a frente. O Sidney vai ter que conscientizar o jogador, entretanto, que futebol joga-se para frente. Quanto mais próximo do gol, mais perigo ao adversário.
Voltando ao Fernando Lima, ele também aposta em Gilson Batata, na Ituiutabana. Segundo ele, “Gilson Batata já fez uma campanha muito boa na terceirona do ano passado, com um time jovem, e com recursos limitadíssimos. Agora, com uma estrutura financeira melhor, está montando um bom time lá em Ituiutaba, e a Ituiutabana vai vir forte buscando o acesso”. Isso só mostra o quão importante é começar um trabalho.
Tomara que Ituiutabana, Araguari, Uberlândia, Uberaba, Nacional, Mamoré e URT voltem fortes para o futebol. O futebol do Triângulo merece e precisa destes clubes entre os melhores do Estado. Ao que tudo indica, a maioria dos clubes está no caminho certo, pensando em revelar jogadores. Agora isso só se tornará possível com apoio do poder público e das comunidades a estas equipes.
Por falar nisso, outro dia de brincadeira lancei no Facebook uma pergunta sobre quem estaria disposto a doar cinqüenta reais para ajudar o Nacional a disputar a terceirona. Nenhum dos meus amigos mostrou-se favorável à idéia. A maioria disse que era torcedor do USC e queria ver o Naça morto. Entretanto, uma pessoa disse que daria com muito prazer uma cesta básica para uma Igreja, mas jamais doaria 50 reais a um clube de futebol.
É certo que uma cesta báscia, nas mãos de pessoas bem intencionadas pode matar a fome de uma família. Mas fica uma reflexão. Cinqüenta reais também poderiam ajudar uma criança a realizar um sonho. A conseguir um emprego, uma profissão. Enfim, os nossos clubes também realizam uma função social. E o que é mais importante não só mata a fome deste ou daquele garoto, como alimenta os seus sonhos. Os empresários deveriam pensar nisso, nem que seja na hora de declarar o Imposto de Renda.
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Pé quente sim! Lambe botas jamais!
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