O Uberaba perdeu ontem para o Cruzeiro por 3 a 2, de virada, depois de estar vencendo por 2 a 0. Isso parece coisas que só acontecem com os grandes clubes. Na Libertadores da América, o Flamengo viveu situação parecida. Vencia por 3 a 0 e acabou cedendo o empate. Perdeu jogos imperdíveis e deu no que deu: acabou eliminado. Com o USC aconteceu o desastre do rebaixamento para a 2ª. Divisão.
As derrotas são doloridas, tristes, mas têm o poder de nos levarem às reflexões. O lado bom da coisa é que na Segundona o USC poderá jogar um campeonato de verdade. Com Uberlândia, URT, Patrocinense, quem sabe o Nacional Futebol Clube, poderemos ter um verdadeiro campeonato do Triângulo. Não conto Mamoré e Araxá porque torço para que os dois subam para a 1ª. Divisão na disputa com Tombense e Ipatinga. Se souberem promover a Segundona pode ser tão ou até mais atraente que a Primeira Divisão.
Quem sabe não seja o momento de não só reorganizar o Uberaba Sport Club, como também fazer um “upgrade” no futebol do Triângulo Mineiro. Dar uma “resetada” na máquina. Para isso, entendo que o primeiro passo seja os dirigentes de clubes reunirem-se e definirem: o que queremos para o futebol do Triângulo.
Vamos continuar importando jogadores? Vamos continuar concordando com este calendário esdrúxulo? O que podemos fazer para sobreviver à crise. Seria o caso de criar a Federação de Futebol do Triângulo?
A primeira constatação certamente será: sem apoio financeiro nada poderá ser feito. Então, acredito um segundo passo seria a busca de parceiros. O Triângulo não é um estado independente de Minas Gerais, mas tem a sua importância regional. Então, deve ser possível buscar parceiros juntos aos meios de comunicação regionais.
Outra coisa que deve ser observada é que o futebol e o esporte de uma maneira geral, também necessita da participação dos políticos, das administrações municipais. Então, seria interessante que deputados, prefeitos, vereadores, secretários fossem convidados para fortalecerem o futebol do Triângulo Mineiro e que houvesse cobrança do engajamento deles neste projeto.
E como tenho certeza de que somente a aglutinação em torno de objetivos comuns, também convidaria as escolas e as universidades a participarem do projeto. Hoje temos muitos espaços para a prática de esportes, mas sinceramente não vejo que eles estejam sendo bem utilizados. Tá faltando engajamento, tá faltando profissionais. Não adianta apenas termos quadras esportivas, é preciso que tenhamos professores à disposição, é preciso termos crianças, jovens e adultos utilizando estas quadras para o esporte, caso contrário elas, ao invés de cumprirem a sua função social, estarão transformando-se em áreas para uso drogas e criminalidade.
É praticamente unanimidade que o grande problema do Uberaba Sport Club no Campeonato Mineiro foi a condição física. Ora, temos na cidade dezenas de academias e cursos superiores de educação física. Não seria o caso de buscar parcerias de forma a dotar as nossas equipes profissionais de melhor condicionamento físico?
Recentemente, num trabalho sobre a história do futebol em Uberaba, pude observar que os melhores resultados das nossas equipes profissionais foram obtidos exatamente quando tínhamos preparadores físicos à altura dos clubes da capital. Marcos Vianna, profissional que, se não me falha a memória, trabalhou no América Mineiro trouxe para Uberaba, o que havia de mais moderno no setor.
Observei ainda que, mais recentemente, enquanto o Uberaba Sport teve um profissional exemplar no quesito preparação física (estou falando de Luiz César, o Maçarico), o time ainda, apesar de todos os seus problemas conseguiu manter-se na primeira divisão. Ora se temos medicina de primeiro mundo, se temos escolas que estão entre as melhores do país, porque não podemos levar todo este know how para os nossos clubes a partir de parcerias. Ganhariam os clubes, os atletas e os professores e estudantes.
Quando converso com ex-jogadores do Uberaba Sport, vejo mesmo que na maioria das conversas, eles destacam o melhor condicionamento físico dos jogadores dos clubes da capital, em relação aos clubes do interior. Isso é uma vantagem enorme. E campanha do Uberaba mostrou claramente. Então, taí um ponto a ser cuidado. Não basta apenas, o talento do jogador. É preciso prepará-lo para ser campeão. E neste aspecto entra ainda questões psicológicas, nutricionais, que certamente temos condições através de parcerias com as nossas universidades e escolas técnicas.
Bom essa é apenas uma das áreas a serem trabalhadas. Mas temos ainda marketing, relações públicas, conforto. Podemos fazer tantas coisas para tornar o espetáculo futebol ou o espetáculo esporte ainda mais interessante. O que temos feito?
Pode parecer idéia de visionário ou coisa parecida, mas cito como exemplo o Estádio Uberabão. O Engenheiro João Guido não pode ser um campo de futebol apenas. É preciso, urgentemente, transformá-lo em uma "fábrica do esporte".
Voltando ao jogo do Uberaba Sport com o Cruzeiro. Gostaria de cumprimentar o técnico Catanoce e os jogadores pelo bom desempenho. Pelo que ouvi, ontem o USC não foi um “time de moças”. Fez o que esperávamos. Vendeu caro uma derrota para o Cruzeiro e mostrou que com alguns ajustes é possível competir também com os grandes.
Quando ocorre um mínimo de aglutinação, de comprometimento, os resultados aparecem. O Nacional de Nova Serrana acaba sendo um exemplo disso. O time soube desde o início mexer os pauzinhos e está já está entre os 100 melhores times do país.
Por fim, para não dizer que não falei flores. A diretoria do Uberaba perdeu há muito tempo o poder de aglutinação. Por isso, acredito que seria interessante eles anteciparem o “upgrade” de que o USC precisa.
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Pé quente sim!! Lambe botas jamais!!
HOJE E SOMENTE HOJE
ResponderExcluirCelso Coelho - Uberlândia/MG - 15/04/12
Diferentemente das “mães dinás” da imprensa esportiva e de grande parte dos pseudos-torcedores colorados.
Eu infelizmente, HOJE E SOMENTE HOJE, curvando-me diante a grande derrota de 3 a 2 para Cruzeiro, aceito que o Uberaba Sport Club está rebaixado para o modulo-II do futebol das alterosas.
Como eu acreditei que o meu colorado escaparia. Uma luta inglória contra tudo e contra todos. A começar por ele mesmo, que não se planejou, que não fez o dever de casa.
Sem contar a turma do gosto ruim. Os pessimistas de plantão. Os agourentos de ultima hora. Aqueles que a muito pregam o quanto pior melhor, e não são poucos.
A hora agora é de reflexão. Deixar baixar a poeira juntar os cacos, pesar os prós e os contras, aprender com os fracassos e num futuro próximo buscar forças para renascer das cinzas.
O cair faz parte do jogo. A meta agora é subir. Apesar de sofrido o momento atual não é novidade pra nós.
E por mais que os agourentos dirão que não, vamos continuar acreditando sempre, com certeza em 2014 estaremos de volta. Valeu meu Colorado!
Filmiano, bom dia,
ResponderExcluirParabéns pela resistência. Nem tudo está perdido em Uberaba.
Tanto por fazer mas uma coisa que me chama a atenção é a total irresponsabilidade dos diretores de clubes esportivos no Brasil (e prefeitos ... todos que gerenciam o que não é dele) pelas dívidas que assumem. Pelas loucuras que fazem com o patrimônio alheio.
Abraço,
Nelson
Nelson e Celso.
ExcluirEstou propondo na coluna de hoje, a divisão das responsabilidade. A começar pela direção do clube. É uma idéia. Será que eles aceitam???
Parabéns a vcs por resistirem também. Não quero mal de clube. Quero bem pro futebol, embora deixe de acreditar um pouco nele, quando não vejo mais os campos terra. Os rachas onde o gol era o banco da praça.